A trajetória da APAE de Santa Cruz do Sul é uma crônica de coragem, superação e união comunitária. Nascida em uma época de invisibilidade para as pessoas com deficiência, nossa instituição floresceu graças à determinação de pioneiros que acreditaram que a dignidade e a educação são direitos universais.
No início dos anos 60, o cenário para pessoas com deficiência era de isolamento. Termos pejorativos eram comuns e não havia estrutura educacional. O movimento em Santa Cruz do Sul começou com a Professora Elisa Gil Borowski.
Mãe de Heloísa (Lóia), que possuía deficiência intelectual, Elisa sentiu "na própria carne" a lacuna do atendimento especializado. Após buscar referências em Porto Alegre, ela prometeu trazer essa realidade para sua cidade. De forma voluntária, organizou a primeira classe especial para oito crianças no Grupo Escolar Estado de Goiás, em um atendimento que ela mesma descreveu como "mais inspirado no amor do que na técnica".
Professora, poetisa e autora da letra do Hino de Santa Cruz do Sul, Dona Elisa dedicou sua vida à causa. Sua gestão era pautada pela disciplina, transparência e por uma sensibilidade literária que transformava ofícios em textos memoráveis. Seu lema resume o espírito desta casa:
"Eu beijo as mãos de todos quantos que por esta APAE lutaram e estão lutando..."
O entusiasmo de Elisa contagiou a sociedade. Com o apoio fundamental do Dr. Nestor Odilon dos Santos Webber e do Lions Club Santa Cruz-Centro, a mobilização ganhou força profissional.
A construção da APAE foi um esforço coletivo. No início, a Escola Especial funcionou em salas cedidas pelo Exército e em uma casa da Comunidade Católica (na Rua Marechal Deodoro), onde as primeiras professoras pioneiras, Lia Niedersberg e Naura Helena Gil, iniciaram as atividades pedagógicas.
A década de 70 foi marcada pelo fortalecimento institucional e pela expansão física.
A primeira ata da instituição foi lavrada à mão por Oscar Kath, tesoureiro por 13 anos e figura central na organização financeira da APAE.
A Gazeta do Sul e as rádios locais foram parceiras desde o primeiro dia, abrindo espaço para divulgar o movimento em uma era sem internet.
Já nos anos 60, médicos como Dr. Joselito Freitas e Dra. Anita Gentil Horn (Musicoterapia) integravam a rede de apoio voluntário.